Princípios para o estudo e a interpretação da Bíblia




Temos sugerido que, em nossos dias, o Espírito Santo não age sobrenaturalmente para dar a alguém, ou para guiar alguém, a algum entendimento de verdades Bíblicas. (Veja o subtópico “Como as verdades são descobertas”.) 


Sendo isso verdadeiro, como realizar um estudo em grupo da Bíblia sem cair no laço da discórdia, da dissensão, da cacofonia das doutrinas discordantes de Babilônia?


Em primeiro lugar, é importante definir verdades fundamentais, sólidas e imutáveis, sobre as quais construir nosso entendimento. Todos os demais pontos estudados não poderiam entrar em contradição com essas verdades basilares, mas deveriam se harmonizar com elas. O artigo “As quatro colunas da Verdade” sugere, pelo menos, quatro dessas verdades fundamentais. Em segundo lugar, é importante estabelecer alguns princípios para a abordagem de estudo adotada.


Princípios de interpretação da Bíblia


Os seguintes “princípios” foram publicados no site unitarista The Harvest Herald:

 Inglês

Antes de mais nada, saibam que nenhuma profecia da Escritura provém de interpretação pessoal, pois jamais a profecia teve origem na vontade humana, mas homens falaram da parte de Deus, impelidos pelo Espírito Santo. (2 Pedro 1:20, 21, Nova Versão Internacional)

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Qualquer interpretação válida das Escrituras deve basear-se em sólidos princípios.1 Este padrão deve ser aplicado de maneira consistente. Ele não pode ser simplesmente deixado de lado quando a interpretação leva a uma conclusão que contradiz o que é ensinado pela “ortodoxia”. Em vez disso, esforçamo-nos em permitir que as Escrituras falem por si mesmas e acreditamos pela fé, quaisquer que sejam as conclusões às quais elas nos conduzam.

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I – Presume-se que os 39 livros do Antigo Testamento e os 27 livros do Novo Testamento são a Palavra de Deus, totalmente inspirada“Para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra.” – 2 Tim 3:17.

II – A própria Bíblia será sempre usada para definir seus termos, símbolos, etc. Não se recorrerá a qualquer dogma, teoria ou escrito de origem humana, tais como os apócrifos ou pseudoepigráficos, para explicar termos bíblicos que já são definidos claramente dentro da própria Bíblia.

III – A interpretação apropriada de qualquer trecho será determinada, não só pelo contexto imediato dele, mas por se considerar todas as escrituras que têm influência sobre o assunto em questão ao longo da Bíblia. A verdade de um determinado assunto só pode ser determinada por se reunir todos os textos que lancem luz sobre o assunto.

IV – A cada trecho será dada uma interpretação tão literal quanto possível, a menos que essa interpretação literal torne o significado absurdo, ou coloque o trecho em desacordo com outros trechos que falem em linguagem positiva.

V – Nenhuma interpretação será dada a qualquer texto além da permitida pelo sentido do próprio texto. Por exemplo: a palavra carcaça não pode, em caso algum, ser interpretada como significando uma alma imortal queimando no inferno.

VI – Todos os trechos pertencentes a qualquer assunto específico, devem conter uma ou mais das características peculiares desse assunto, por meio das quais esses trechos possam ser identificados como pertencentes a ele.

VII – A verdade de qualquer doutrina deve ser determinada em primeiro lugar pelos trechos que falam em linguagem clara e positiva, não pelos trechos de natureza simbólica ou parabólica. Nenhuma inferência deve ser elaborada com base num trecho simbólico ou parabólico, de maneira que faça esse trecho entrar em contradição com os trechos que falam de maneira inequívoca sobre o mesmo assunto.

VIII – Nenhuma doutrina será elaborada com base num único trecho das Escrituras, numa mera inferência, ou num argumento sem qualquer base textual. Qualquer verdadeira doutrina deverá ser encontrada ao longo da Bíblia inteira.

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Original: “Rules For Interpreting Scripture” – The Harvest Herald

1 N.T.: Embora na fonte da qual se extraiu este conteúdo, os oito pontos delineados acima tenham sido chamados de “regras”, preferimos encará-los como “princípios”, e tentamos seguir todas essas diretrizes nos escritos publicados neste site.

(Obs.: Artigo originalmente traduzido pelo site Mentes Bereanas.)


Princípios de estudo da Bíblia


É fundamental, e bíblico, que “todas as coisas ocorram para edificação” e que “todas as coisas ocorram decentemente e por arranjo”. (1 Cor. 14:26;  40) O contexto de 1 Coríntios 14 indica que havia desordem em algumas das reuniões do primeiro século. Pelo visto, muitos falavam em línguas ao mesmo tempo — sem tradução — e outros, também ao mesmo tempo, profetizavam. Imagine a bagunça que devia ser! O apóstolo Paulo, sob inspiração, organizou a situação dando conselhos úteis para que as reuniões fossem ordeiras, “pois Deus não é [Deus] de desordem, mas de paz”. (1 Cor. 14:33)


Em reuniões onde há uma maior flexibilidade de entendimento de verdades secundárias, temos que tomar muito cuidado para que algo semelhante à desordem não aconteça. Algumas medidas, porém, podem ser adotadas para minimizar isso.


Nesse sentido, o princípio estabelecido por Paulo pode ser muito útil para nós. No caso do falar em línguas, ele estabeleceu que devia ser feito por ordem, e que houvesse um tradutor. O mesmo podemos fazer com relação a nossos comentários. Podemos levantar a mão e esperar nossa vez, em vez de tomarmos a palavra por conta própria. A exigência de um tradutor era para que o assunto ficasse claro para todos. Podemos tentar seguir esse princípio também. Se discordamos de alguma explicação mas não temos outra explicação bíblica para oferecer em seu lugar, seria melhor aguardar até fazermos uma pesquisa onde tal explicação poderia ser dada. De que adiantaria apenas dizer “não concordo” se não temos base bíblica para explicar o porquê?


Os dirigentes também podem usar de tato ao oferecerem suas explicações. Quando há mais de uma explicação do assunto conhecida, poderá apresentar as duas de modo imparcial, talvez destacando os pontos fortes e fracos de cada uma. Obviamente isso demandaria mais estudo da parte dos dirigentes, mas o esforço valeria à pena. Por fim, nesses assuntos secundários, cada pessoa tomaria sua decisão quanto ao que lhe parece mais convincente. Não há proveito algum se gastarmos tempo tentando convencer os outros que nosso ponto de vista é o correto. Basta apresentarmos o ponto de vista e deixar que o poder convincente da verdade faça seu trabalho, no tempo devido.


É importante seguirmos uma linha geral defendida pela maioria, como ponto de partida. No nosso caso, que somos Estudantes da Bíblia, podemos oferecer as explicações tidas como corretas pela maioria. É um excelente ponto de partida, visto que nossos irmãos possuem um conhecimento bíblico acumulado de mais de 140 anos. Para isso temos publicações como o Expanded Biblical Comments, do irmão Russell, e muitas outras publicações e autores. Nosso estudo, portanto, seria no sentido de refinar nossa compreensão dos assuntos abordados, segundo os princípios de interpretação sugeridos no tópico acima.


Outro bom princípio para manter a ordem nos estudos é procurarmos as lições universais que cada relato bíblico nos ensina. Após termos abordado explicações alternativas (caso haja), podemos nos concentrar nas lições universais do relato estudado. Assim, quer um membro creia numa ou noutra explicação de certo relato, certamente ele(a) concordará com as lições universais que o mesmo transmite, e será edificado(a) com isso.


O objetivo de cada reunião não deve ser meramente intelectual. As reuniões existem para, entre outras coisas, edificação mútua e o estímulo a boas obras e ao amor. (Heb. 10:24) As reuniões também são uma ocasião de louvarmos ao Pai Celestial e a Seu Filho, Jesus. Assim, por colocarmos essas coisas em primeiro lugar, e por evitarmos o dogmatismo, veremos que as reuniões serão ordeiras, edificantes e instrutivas, para a glória de nosso Deus “de paz e de ordem”.

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